segunda-feira, 15 de novembro de 2010

À guisa da Introdução: Rumo à Estação Finlândia?

As pessoas mais incautas poderiam perguntar: qual relação existe entre cinema-história e Edmond Wilson, autor do livro cujo título aparece no final do post anterior? E aqueles mais atentos poderiam me perguntar indignados: porque você quis nos enganar colocando uma foto da estação da Luz em São Paulo para ilustrar um post que estava falando de uma estação de trem na Finlândia? 





Bem, quero dizer-lhes que em momento algum vou me desculpar, pois não fiz nada errado. Se vocês chegaram às conclusões ditas anteriormente, é por que houve certa vontade de que este sentido fosse obtido. E as duas respostas possíveis às indignações, podem ser: 1) Eu nunca li o livro de Wilson, apenas fiz uma comparação entre nossa jornada e a que Lênin fez, antes da Revolução de 1917. Porém, a utilização do título do livro foi proposital: eu sabia desde o começo de sua existência. Apesar de não ter lido, eu conheço sobre o que o livro trata e certamente uma pesquisa breve pelo Google também mostrará a você, leitor, que indiretamente há uma relação entre o livro não lido, a viagem não lembrada e a jornada que nos propomos fazer; 2) A foto da Estação da Luz serve para (re)lembrar, que toda imagem é polissêmica e que podemos atribuir sentidos específicos modificando o contexto em que a imagem se apresenta.

O que tem em comum em ambas as questões levantadas? A manipulação da “verdade” por parte de um autor (eu) mal intencionado (será mesmo?). Este é um fantasma no qual, quem trabalha com imagens, inevitavelmente vai encontrar pelo caminho. E não adianta negar: muitos dos preconceitos acadêmicos surgem justamente da perpetuação destes fantasmas. E a área de História é bastante sensível a estes preconceitos. Poucos são aqueles que além de sensibilidade, têm visão para as novas propostas que se abrem com a utilização deste novo tipo de documento.

Parte um – eu quero iludir, mas não quero enganar.

Antes mesmo de começar a esclarecer os caminhos que demarcamos anteriormente, gostaria de refletir sobre a natureza do que estamos nos propondo fazer. Com o tempo, o leitor perceberá, que esta reflexão não fez muito sentido prático para sua pesquisa sobre as salas de cinema na década de 1920. Então, já advirto, que o sentido desta reflexão é puramente simbólico e é através dos símbolos que temos que passar a nos comunicar.

Não sei se foi algo que tínhamos e perdemos ou foi algo que não tínhamos e desenvolvemos aos poucos, mas a comunicação através de símbolos, metáforas, imagens e representações fizeram e fazem parte do nosso mundo cultural e social. A certeza desta afirmação reside numa série de documentos visuais que os seres humanos, em qualquer civilização, produziram e deixaram como registro. Assim como as inscrições em vasos encontrados no Rio Negro e nos desenhos nas paredes da caverna de Lascaux.

Apesar de não sabermos ao certo o que significam, ou se realmente existe um significado, a possibilidade desta relação é que engrandece nosso imaginário e nosso conhecimento acerca do mundo que nos envolve. Infelizmente, em algum momento do século XIX, houve a desvalorização progressiva do imaginário como forma de conhecimento científico válido. Seus métodos e técnicas deveriam comprovar e separar o verdadeiro do falso, impondo uma visão de mundo utilitarista e desumana. Este foi o tipo de ciência que inspirou as metanarrativas, e algumas gerações de historiadores foram formadas a partir delas.
Ao longo do século XX, vários historiadores propuseram modificar a maneira como se olhava para o passado, e este olhar estava diretamente relacionado a dois fatores: às fontes documentais e às teorias explicativas. Digamos que houve uma quebra e dela surgiu uma diversidade de maneiras de concebemos a ciência histórica. Os símbolos passaram a ser vistos “com outros olhos”.


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